Os nove obstáculos para a Criatividade

Propósito, Espiritualidade e Negócios

Os nove obstáculos para a Criatividade

11 de novembro de 2019 Sem categoria 0

Os nove obstáculos para a Criatividade

Todo ser humano nasce criativo, enquanto crianças vivemos imersos em criatividade, e ao longo de nosso crescimento, somos guiados a abandoná-la e seguir padrões. Vou apresentar os nove principais obstáculos para uma mente criativa.

A busca por reconhecimento

Quanto mais nos importamos com as opiniões das outras pessoas, menos criativos ficamos. Ser criativo está diretamente ligado a pensar diferente, em ser diferente do “normal”, se você precisa “ser” alguém para os outros, dificilmente você será criativo; pois estará muito preocupado com o que os outros irão pensar sobre o que você pensa, imagina e cria, perdendo assim, sua essência criativa.

Por que você faz o que faz? Do mesmo modo que no empreendedorismo, ser criativo está ligado a autorrealização, se você deseja ser criativo apenas para alcançar riquezas ou fama, dificilmente você será criativo. Você já é aquilo que sempre quis ser. Ame o que você faz, e assim você será criativo. A criatividade está ligada a amar tudo o que você faz, não importa se lhe elogiarão por isso, não importa se isso lhe trará fama, não importa se isso lhe trará riqueza. Se a fama vier, se a riqueza vier, ótimo. Se não vier, ótimo, pois o seu motor é a autorrealização. Quando a ambição aparece, a criatividade desaparece. Somos ensinados que somente se tivermos reconhecimento seremos alguém, nosso trabalho por si só é irrelevante. O trabalho não é importante, mas o reconhecimento é – isso é uma inversão de valores.

O intelecto

O intelecto é uma excelente ferramenta, e se usado como tal, tem um imenso potencial. Mas se o intelecto for visto como a base do ser humano, como quem coordena o nosso ser, e não como uma ferramenta, ele se torna uma prisão e já não podemos mais ser criativos. A mente concreta pode apenas conectar fatos e dados já vistos, ela não tem poder de abstração, ela não enxerga o todo, apenas as partes. A mente concreta pode apenas produzir, o que é uma atividade mecânica, mas ela não pode criar. Criar significa trazer à existência aquilo que é novo; abrir caminho para que o desconhecido penetre o conhecido, e isso apenas a mente abstrata pode fazer.

Apenas acessando a mente abstrata é que podemos ser realmente criativos, e para isso, é necessário silenciar o intelecto. A mente concreta pode apenas ligar pontos, se o Uber pode conectar motoristas com quem precisa se locomover, eu posso ligar manicures a quem precisa fazer as unhas. Esse tipo de criatividade, de ligar os pontos, é possível através da mente concreta. A mente abstrata é aquela que ajudou Steve Jobs a transportar arte para dentro de máquinas computacionais.

O medo e a dúvida

O individuo muitas vezes tem dúvidas sobre sua própria capacidade criativa. Essas dúvidas fazem com que ele acabe não criando ou não apresentando as suas ideias, ele tem medo de que elas não sejam boas o suficiente. O que os outros iriam pensar dele se suas ideias forem consideras ruins?

“Tais dúvidas são traiçoeiras, e nos fazem perder o bem que muitas vezes poderíamos alcançar pelo temor que temos de tentar”.
William Shakespeare

O indivíduo criativo não pode ter medo de errar, ele deve arriscar, ele deve ser aquele que levanta a mão em uma aula e faz a pergunta, mesmo que ela seja ridícula para os outros. Ele não teme o julgamento, não tem medo de parecer um idiota na frente dos outros. O medo nos leva a agir de forma coerente com nosso meio, de forma não questionadora, se ninguém faz esse tipo de questionamento eu também não devo fazer. O criador não tem esse tipo de medo, ele vai atrás do diferente, ele faz perguntas: “por que se faz dessa maneira?”, “Não podemos fazer diferente?”.

Quando eu preciso criar um nome para uma marca, faço uma lista com todos os nomes que me veem à cabeça, até os mais ridículos. Ao selecionar os melhores, diversos nomes viram apenas risadas e inspirações para novas escolhas, o que ajuda o processo de criação.

O perfeccionismo

Existe uma neurose moderna onde pensamos que tudo deve ser perfeito. Nosso trabalho deve ser perfeito, nossa vida deve ser perfeita, nos comparamos constantemente com os outros, e queremos ser “melhores”. Essas atitudes tiram o foco de nosso lado criativo, nos deixando presos ao perfeccionismo, não deixamos nossa intuição e nossa inspiração nos guiar, comprometendo o processo criativo. Os que buscam a perfeição nunca são perfeitos. A criatividade está ligado com a espontaneidade, com a originalidade e não com a perfeição. Uma parte de você pode estar condenando-o, criticando-o, reprovando-o, você está dividido e não pleno. Seja você mesmo, busque em seu interior a plenitude, a originalidade e não a perfeição. Uma obra de Picasso é perfeita? Assuma riscos, não tenha medo de errar.

A importância de estar sempre fazendo algo “produtivo”

A sociedade atual menospreza o ócio, temos que estar fazendo algo produtivo o tempo todo para sermos considerados úteis. Estar simplesmente parado, contemplando, desprovido de pensamentos é algo inaceitável, mas é extremamente importante para quem busca ser criativo. É necessário silenciar a mente concreta para acessar nossa mente abstrata, para que possamos nos inspirar, para que os insights possam surgir. Deve ser possível ficar em silêncio, “parado”, sem termos a preocupação de estarmos jogando nosso tempo fora. Esse processo é importante para que não sejam fechadas as portas da mente abstrata, da intuição e da criatividade.

A eficiência

Atualmente louvamos a eficiência e a produtividade, devemos regrar cuidadosamente nossas agendas, nossos horários, fazer cada vez mais coisas usando menos tempo e recursos. Isso é ser eficiente e produtivo, infelizmente, quanto mais eficiente somos, menos criativos ficamos. As empresas querem funcionários altamente eficientes e produtivos, e querem “teoricamente” que eles também sejam criativos. Como podemos ser criativos se lutamos contra o relógio para produzirmos mais e mais rápido? Como podemos silenciar nossas mentes concretas, explorar novas oportunidades, contemplar e nos inspirar se não temos tempo para isso?

Acredito que um dos grandes dilemas de um futuro breve será a luta da eficiência contra a criatividade. Todas as atividades repetitivas podem ser realizadas por computadores e máquinas. À medida em que os computadores automatizarem cada vez mais as tarefas repetitivas, caberá ao homem as atividades criativas, abstratas e intuitivas, que só podem ser realizadas por seres humanos.

A educação

O método educacional atual nos distancia de nosso potencial criativo, ele apresenta um problema e apenas um caminho para chegarmos na sua solução. Na matemática temos vários meios de chegarmos a uma mesma solução, e as professoras julgam errado o aluno que chegou à solução por outro meio: “Esse não foi o método que eu lhe ensinei”. A educação reforça o julgamento, e quanto mais julgamos, menos criativos ficamos. A partir do jardim de infância, basicamente aprendemos a usar apenas um lado do cérebro, o esquerdo, que abriga habilidades analíticas, fatos e o pensamento racional, lógico.

Mais de noventa por cento do que aprendemos na escola tende a exercitar-nos as faculdades de julgamento. “Faça desse modo”, “pense dessa maneira”, “não vá querer inventar a roda”. O processo criativo precisa de liberdade de julgamento, de pensamento livre, de curiosidade, de abertura para que seja possível buscar soluções alternativas. Toda criança nasce criativa, e do jardim de infância à universidade, nossa educação estimula apenas o nosso pensamento concreto, lógico e julgador. Esse modelo nos força a usarmos apenas o pensamento repetitivo e não estimula em nada a nossa mente abstrata, a nossa criatividade.

Agora, com sua mente cheia de memorização, você pode repetir, e produzir. Albert Einstein não conseguiu passar no exame de admissão. Seu intelecto criativo não permitia que ele se comporta-se padronizadamente como os outros, ele foi punido por isso. Einstein era extremamente criativo, ele não se encaixava nos padrões. A capacidade de Einstein de resolver problema diminuiu a medida que seus conhecimentos aumentaram.

“O conhecimento muitas vezes é o maior obstáculo para a criatividade quando se trata de resolver problemas porque a ideia de abrir mão de todo esse conhecimento em favor de uma lousa em branco parece absurda.”
Eric Wahl

A zona de conforto

Os esforços criativos encontram fortes resistências das pessoas e do mundo externo. As maior parte das pessoas gosta de estar em sua zona de conforto, fazendo coisas que já sabem fazer, elas não gostam de mudanças. As convenções e os padrões, são grandes inimigos da originalidade. Como ser criativo se devo apenas seguir processos e padrões? O pensador criativo não gosta de estar na zona de conforto, não gosta de pensar dentro da caixa, ele está sempre buscando o diferente.

As pessoas tentam inibir os esforços criativos, elas foram treinadas para isso, além do mais, o novo as tiraria de sua zona de conforto. A maior parte dos grandes criadores sofrem com a zombaria a suas ideias. É necessário ao criador não cair em desânimo, enfrentar as dificuldades sem perder o foco em sua criação.

O julgamento

As pessoas tendem a ser menos criativas com a idade, o fato é que elas se tornam vítimas de velhos hábitos, que são consequências da educação e de suas experiências, elas tendem a desenvolver inibições, o que torna rígido o ato de pensar. O importante para o pensamento criativo é questionar e não julgar. Se você quer ser criativo, deve se desfazer de muito do que os seus pais, seus professores e a sociedade o ensinaram. Libertando-se das coisas que o reprimem e o fazem um julgador, pense livremente, questione. A criatividade pode ser desencadeada por uma limpeza constante de suas ideias antigas.


Dúvidas, sugestões, contribuições?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *